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É sobre morrer, é sobre quando morrer!

Se há tema que me acompanha nesta vida, é sobre a morte. Já vivi umas quantas mortes. Internas, das perdas transversais na vida, e da perda de alguém. Mas de todas elas, a maior, a do meu pai. Se até lá mergulhei, com a sua perda fiquei em apneia. Desde então investigo este mistério que sobre ele nada sei. Vivo os lutos. Digo no plural, porque no luto do meu pai vieram todas as perdas anteriores e atuais que tive, além do luto se apresentar por fases - não aguentaríamos o luto inteiro na sua dimensão.


É através da morte que procuro transcender os meus dias. Apenas sei, que me move a viver os meus dias com tudo o que posso viver. Até nas dores do corpo e da alma. Talvez toda a transcendência do ser humano se possa insurgir, quando se dispor a encarar a morte como parte (natural) da (sua própria) vida. Investigo, todos os dias, como viver melhor, ainda que todos os dias os desafios surjam com relativa proeminência. Não fosse esse o exercício, talvez os passos com que rasgamos o caminho da vida, não teriam um perfume que embeleza a nossa existência.


E há dias que ora ausente deste Deus que nos habita e assiste em cada respiração, ora há outros que me sussurra aos ouvidos um texto que regurgito por cada passo que dou enquanto caminho.


É sobre morrer, é sobre quando morrer! Precisamos falar sobre isso, para quando acontecer, em vez de temor e dor, haja amor e beleza.


"No logro da vida recolho as memórias para aquele só instante. Não vá a passagem ser um espetáculo perdido, em tanta beleza que por cá bebi e me nutri. Visões por instantes retidas de um espaço sem tempo conhecido. (...) É longa e curta a vida, irreal realidade, tão quanta é a própria morte. Quando podemos viver imortais, reais encarnados, corpos que deambulam. Vivos ou mortos, somos imortais.(...) É o logro da vida que vai correndo, enaltecendo-se a viver para morrer, vivendo."


Sophia 🌹





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